Preta Gil
Preta Gil (Foto: Bruna Castanheira)

Mulher, filha, mãe, esposa, avó, cantora, apresentadora, atriz e a inspiração para milhares de mulheres. Preta Gil, 45, é uma das estrelas da nova campanha da Loungerie. Ao Observatório dos Famosos, a artista que adora um decote revelou o que mais gosta de usar em seu dia a dia, e também da importância de editorias de moda darem visibilidade para as mulheres reais.

Para a filha do cantor Gilberto Gil, a sociedade mudou e passou a valorizar as diferentes formas e fases das brasileiras, em especial. Padrões de beleza impostos já não são mais aceitos, segundo ela que já se assumiu bissexual: “Se eu falasse para alguém que eu faria uma campanha de lingerie, as pessoas iam rir: ‘você em uma campanha de lingerie? Você é gorda!’ Hoje é possível!, disse Preta que exigiu que não fossem feitos retoques nas fotos. Já sobre os ataques nas redes sociais, ela foi bem sincera: “Gosto de expor, dou um print e posto”.

Confira!


Qual lingerie você prefere usar?

Cada hora eu prefiro de um jeito. Sempre tive muitos tamanhos de acordo com meu humor, com a minha vontade do dia. Eu vou botando. Tem horas que eu preciso de algo maior pra ser confortável. E assim vai. Eu não tenho um gosto específico.

E na hora da sedução?

A sedução não está na lingerie. A sedução está na pele, no olhar, na inteligência, na nossa capacidade de emanar amor, de emanar vibrações boas. A lingerie como tudo na vida que vem por cima é mais um adereço, algo que a gente usa como um acessório, que é um aliado da mulher, que é um aliado do ser humano, seja uma lingerie, uma roupa, uma bolsa. Mas a gente não pode se basear ou acreditar tanto que uma peça vai ser o “sensualizar”. Você pode sensualizar de camisola, de camisa velha rasgada, o mais importante está na atitude.

Sobre a hot pant?

O hot pant é só mais um nome. Uma nomenclatura para um bom calçolão. A moda precisa rotular ou rebatizar as peças, às vezes, pra poder dar uma vida nova pra ela. Vai de acordo com o seu humor, o seu dia. Eu acho que temos que ser livres e as coisas tem que estar ao nosso alcance, do possível, dentro da nossa realidade de cada um e cada um tem acesso a alguma coisa ou algum tipo de coisa. O mais importante eu a criatividade, nossa, em reinventar, reutilizar, rebatizar, usar de várias formas. Mas uma coisa que é fato, de anos pra cá, a lingerie virou peça de roupa, para ir aos lugares. Não colocamos ela mais embaixo, queremos que a lingerie seja a roupa, por uma libertação da mulher. A gente vive historicamente lutas diárias pela nossa identidade, pela nossa libertação, e a lingerie hoje ser uma peça tão democrática, e tão popular, pra mim é um símbolo sim de conquistas de nós mulheres. Só de pensar que a gente já queimou, anos atrás, sutiã, para nos libertar. Acho que o mais legal é que tudo seja possível, e que a liberdade seja o nosso guia, e quem não quer usar lingerie, também tem esse direito. E é bonito e a gente tem que respeitar.

Você já saiu sem lingerie?

Particularmente não gosto. Sinto que falta alguma coisa. Não sou dessas que durmo nua. Gosto de dormir com uma boa calcinha confortável.

Como foi o convite para a campanha e o que você contribuiu?

A campanha é totalmente baseada nos nossos depoimentos. Nas nossas histórias. Acho que colaborei muito porque o material que vocês vão poder ver tem o mínimo de interferência, a edição é muito sútil, eles deixaram que a gente pudesse falar, por isso que são quatro episódios, são grandes, para que a gente pudesse falar o que a gente sente, o que a gente pensa, e que isso fosse transmitido para o público. São quatro mulheres diferentes, mas que se amam.

O que ficou mais forte na sua mensagem?

Primeiro é uma conquista você imaginar que há anos atrás, se eu falasse para alguém que eu faria uma campanha de lingerie, as pessoas iam rir. Como riram muito a minha vida inteira, desde que me entendo por gente, da minha carreira artística por 17 anos. Isso seria uma coisa inadmissível, imagina. Diriam: ‘você em uma campanha de lingerie? Você é gorda!’ Hoje é possível. A maior mensagem de todas é essa, que estou ali representando milhares de mulheres brasileiras, que como eu, tem o corpo real. Não são molhadas ou não têm um corpo escultural, tem o peito caído porque deram de mamar para os seus filhos. Meu peito é caído sim, sou uma avó de 45 anos que estou aqui estampada em uma loja. Isso é muito revolucionário. É uma vitória. E não é minha. É de todas as mulheres brasileiras que eu, humildemente, represento.

Você se acha sexy?

Sou muito descrente de rótulo, de se achar sexy. Tem horas que me acho sexy, às vezes passo na frente do espelho, estou sem maquiagem e tenho uma sensação boa. Não sei o que é se achar sexy. Não tenho essa coisa de me levar a sério ou de acreditar que o corpo da gente representa a gente como um todo. Acredito que é uma parte de nós. Então se achar sexy é muito além do que o corpo, é muito além do que somente a imagem. Então tem dias que me sinto e dias que não me sinto. E não é porque eu boto uma lingerie que me sinto sexy. Isso é mais uma daquelas loucuras que a sociedade impõe e a gente acredita. Que pra gente se sentir sexy tem que estar com o corpo, com um lingerie incrível. Não. Sempre me sinto sexy nos momentos onde estou despretensiosamente desarmada e verdadeira.

As fotos não tem retoque. Foi uma exigência sua?

É exigência número um. Já passei por todas as fases, já fiz campanha onde me retocaram contra a minha vontade, ou muito também por ter que se enquadrar em um padrão de publicidade que existia. Hoje a sociedade vive um momento muito lindo de libertação. É muito simbólico uma marca, como a Loungerie, fazer uma campanha como essa e ter uma mulher como eu real sem nenhum retoque com as estrias, as celulites, as minhas linhas de expressão, da minha idade, aparecendo. A marca quando me chama ela não quer me mudar, não quer me enquadrar em nada e assim que tem que ser.

Teve alguma resistência de alguma marca que você pediu para ser natural e a marca não quis?

Essa marca nem chega perto de mim. É muito legal quando a gente é o que é, e só chega perto da gente quem acredita e respeita a gente do jeito que a gente é. Já tive sim muitas campanhas que foram retocadas e que não me deixaram felizes. Mas hoje, graças a Deus, a gente vive outro momento, onde as marcas, a indústria, o mercado, entende que a consumidora não é a boneca. Estamos aqui representando essas mulheres.

Amigas artistas famosas se espelham em você em relação a isso? Veem em você coragem e conversam sobe isso?

Aí era melhor perguntar pra elas, né? Porque é muito ruim falar pelas amigas. Mas eu acredito que sim, do mesmo jeito que elas me inspiram. O caráter da gente é que inspira umas as outras e a forma física da gente é só uma consequência de quem a gente é.

Você encara muito bem as críticas e a redes sociais respondendo e se empoderando.

Cada dia respondo menos. Comecei a entender que aquelas pessoas que criticam são frustradas, infelizes e elas descontam em mim ao apontar algo que elas consideram feio em mim, estão apontando para elas mesmas, então é muito triste, pra que que eu preciso brigar ou me desgastar. Se eu pudesse, eu dava colo pra essas pessoas, mas muitas delas ainda são muito raivosas e eu entendo. Eu juro que eu entendo como elas chegaram a esse ponto. Porque a sociedade e a indústria formaram isso, e eu sei, porque não foi fácil pra mim me libertar. Tive altos e baixos e sempre me coloco na posição de resignação, de compaixão, de sororidade, de empatia, e se alguma, ou outra, ou alguém passa do limite, do que eu já considero, é difícil responder, eu gosto mesmo é de expor. Dou um print e posto no stories.